Meia dose de gafanhotos, uma e outras de vários insetos é o que acontece, diariamente, num dos muitos restaurantes de gastronomia artrópode(insetos), na cidade de Banguecoque(Capital da Tailândia), condimentados com molhos de piri-pire, peixe, camarão, ostras e , ainda, com outros paladares exóticos.
Não se assustem!
Isto porque se observassem as frituras de gafanhotos numa das muitas bancas de ruas na “Cidade dos Anjos” lhes fazia abrir o apetite e crescer a água na boca.

Como são sabidos estes insetos apenas se alimentam de vegetais e de que maneira!
A gafanhotada, depois de frita, fica muito parecida aos camarões fritos.
Nos tempos que vinham as primeiras chuvas, milhões de insetos, compridos saiam dos ninhos, morros, construídos com as suas babas, misturada com terra, chamados de “muchã”, cuja dureza se assemelhava a uma estrutura de cimento armado.
Lagartas voadoras, compridas, batendo as asas, em direção às luzes da iluminação pública, para o “bichinho” se suspender no ar, o que não agüentavam o flutuar da carga do peso e acabavam por cair, em queda livre, no solo.
Os nativos enchiam latas que foram de 20 litros de petróleo e carregavam-nas para suas casas. Dias seguintes de ementas melhoradas com fartura de conduto para acompanhar a “fubá” (farinha de milho cozida).

Mas, não fique por aí, confrangido (claro se me lerem) com vontade de lançar a carga ao mar e dizer para os seus botões: “era lá capaz de comer essa “porcaria”!
Pois, até petiscava, se ouvisse um mestre da gastronomia portuguesa, o Pereira, chefe de cozinha de um dos melhores restaurantes de Lisboa, o “Club dos Empresários”, na Avenida da República.
A curiosidade do Chefe Pereira levou-o a percorrer as ruas de Banguecoque, observou a fritura dos gafanhotos, as suas narinas aspiraram o cheiro do “esturricado” dos bichinhos avermelhados, iguais aos camarões na frigideira, não resistiu à tentação de provar e apreciou.
O Chefe Pereira, veio integrado na delegação do António Clara, proprietário do Clube dos Empresários para um Festival de Gastronomia Portuguesa, no Hotel Oriental (desde há vários anos classificado o melhor do mundo) durante 15 dias redundou num total sucesso e, participaram no evento: o famoso guitarrista António Chaínho, o violonista Fernando Nóbrega e a Fadista Elsa Coimbra.

Mas antes que acabe com a história da tão estranha gastronomia, terei que colocar em relevo a excelente e inesquecível, depois de experimentada, a cozinha tailandesa, não fique por aí a pensar na Tailândia se comem “cobras e lagartos”. (As cobras embora proibidas à captura para conservar o meio ambiente têm sido exportadas e candongadas para Macau e outros países, daquelas bandas, de etnia chinesa).
Não conhecemos restaurantes tailandeses de comidas afrodisíacas e exóticas mas uma das melhores do planeta terra, onde nela, além da pureza, característica, é muito farta de marisco e vegetais. De fato é picante e não conheço um prato tai que não seja condimentado com os pequenos “piri-piris” que até foram os navegantes portugueses que trouxeram as sementes de Moçambique para o Antigo Reino do Sião a partir dos anos 1512.
Recomendamos que quando apreciarem as finas iguarias culinárias não entre em pânico, bebendo copos e copos de água para afastarem a árdua da vossa boca, mas umas colheradas de arroizinho alvo de neve, cosido apenas com água e sempre colocado na mesa como na portuguesa está o pão, o picante foi-se e lentamente vai começar a gostar mesmo dum “piquezinho” no quotidiano da sua dieta.
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